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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A LENDA DO RATAMBUFE, O BOI DE CONCHAS

Esta lenda começou a der difundida pelo grupo folclórico de Ubatuba "O Guaruçá" : http://www.oguaruca.com/  .




Você pode adquirir na Fundart ou diretamente na página do grupo o encarte com o CD com músicas lindíssimas contando essa lenda.






Aqui está recontada por Gabriel Duarte, do blog :
http://textolivre.com.br/contos/8561-a-lenda-do-ratambufe-o-boi-de-conchas

Ilustração : acrílica sobre tela "Boi de Conchas sai do mar"de Jussara Cordeiro Guimarães .



A LENDA DO RATAMBUFE, O BOI DE CONCHAS




Era dia 29 de junho. Em Ubatuba comemoravam-se o dia de São Pedro Pescador. Enquanto isso, no Bairro Alto da pacata cidade de São Luiz do Paraitinga, senhor Cipriano ouvia um forte mugido que ecoava em sua fazenda. Era um pequeno bezerro que acabava de vir ao mundo. Filho da vaca Sereia e do boi Marujo, o tenro boizinho era todo branco, apenas seu rabo era preto e havia uma mancha na testa em formato de concha. Ao ouvir aquele mugido, seu dono logo disse: Ratambufe!!! – Assim ele viria a ser chamado, pois seu berro pareceu o som do instrumento de mesmo nome tocado em dia de carnaval aqui em Ubatuba.

Os dias passam morosos e Ratambufe cresce ouvindo as promessas de seu dono de que um dia ele veria o mar. Ah, o mar! Peixes, guaruçás, gaivotas, conchas e a imensidão! Um sonho tomou o coração do boizinho.

Aos dois anos, Ratambufe já era um boi forte, saudável e belo. Como bom comerciante que era Cipriano resolveu que venderia Ratambufe para o matadouro de Ubatuba em sua próxima viagem para cá.

A comitiva sai, carregando queijos, farinha, carnes, patos, porcos, gados e Ratambufe. Seu sonho seria realizado, mas havia um preço a se pagar. Ao chegarem ao descanso do Tuniquinho a imensidão azul tomou os olhos do boi! Seu coração estremeceu e seus olhos marejaram. Que beleza! Ratambufe acelera o passo descendo a serra ao som dos belos tangarás levando consigo toda a comitiva. Ao vislumbrar de perto as águas azuis da praia do centro o boi fica estático. Seus olhos fitam as ondas com encantamento e ele adentra o mar sem medo. Senhor Cipriano tenta detê-lo sem sucesso e Ratambufe some entre as águas sem nunca mais aparecer...

Dizem que foi um chamado de São Pedro. Outros acreditam que uma bela sereia tenha se apaixonado pelo boi e o tenha levado. Hoje em dia acredita-se que para ver o boizinho, basta cantar sua música à beira mar: “Sonho que boi sonhava era um dia ver o mar...” e ele aparecerá dançando com o corpo repleto de conchinhas somente para quem souber enxergar.







Um comentário:

  1. Dizem que o boi sabe quando chaga a hora de sua morte. Se isso for verdade, qual seria o sentimento de Ratambufe? Se entregar aos braços das Sereias do Mar para não sofrer a dor da ingratidão humana? E Cipriano, se arrependeu de desejar lucrar?

    O que fazemos com nossa curta existência?

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